Osteoporose – Doença dos ossos

Osteoporose é uma doença que pode atingir todos os ossos do corpo, fazendo com que fiquem fracos e com possibilidade de quebrarem aos mínimos esforços.

Osteoporose
Ossos humanos partidos

CONCEITO

A osteoporose é uma doença sistêmica progressiva caracterizada por diminuição da massa óssea e deterioração da microarquitetura, levando à fragilidade do osso e aumentando o risco de fraturas.

Fisiologicamente o osso é continuamente depositado por osteoblastos e absorvido nos locais onde os osteoclastos estão ativos. Normalmente, a não ser nos ossos em crescimento, há equilíbrio entre deposição e absorção óssea. Na osteoporose existe desproporção entre atividade osteoblástica e osteoclástica, com predomínio da última.

O pico da massa óssea vai até a faixa dos 25 a 30 anos, sendo a massa óssea maior no homem do que na mulher. Daí por diante perde 0,3 % ao ano. Na mulher a perda é maior nos 10 primeiros anos pós-menopausa, podendo chegar a 3% ao ano, e é maior na mulher sedentária.

De acordo com critérios da Organização Mundial de Saúde, 1/3 das mulheres brancas acima dos 65 anos são portadoras de osteoporose. Estima-se que cerca de 50% das mulheres com mais de 75 anos venham a sofrer alguma fratura osteoporótica. Apesar da osteoporose ser menos comum no homem do que na mulher, é estimado que entre 1/5 a 1/3 das fraturas do quadril ocorram em homens e que um homem branco de 60 anos tem 25% de chance de ter uma fratura osteoporótica.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no mundo, 13% a 18% das mulheres e 3% a 6% dos homens, acima de 50 anos, sofrem com a osteoporose. No Brasil, o número de pessoas que possuem a doença chega a 10 milhões e os gastos com o tratamento e a assistência no Sistema Único de Saúde (SUS), são altos. “Só em 2010, o SUS gastou aproximadamente R$81 milhões para a atenção ao paciente portador de osteoporose e vítima de quedas e fraturas”, informa Luiza Machado.

CLASSIFICAÇÃO

Os principais tipos de Osteoporose são:

Osteoporose pós-menopausa: atinge mulheres após a menopausa. Fratura de coluna pode ocorrer.

Osteoporose senil: atinge pessoas com mais de 70 anos. Aparece por deficiência crônica de cálcio, aumento da atividade do paratormônio e diminuição da formação óssea. Tanto a fratura de coluna quanto a de quadril podem ocorrer.

Osteoporose secundária: atinge pessoas com doença renal hepática, endócrina, hematológica ou que usam alguns medicamentos, por exemplo, corticóides. Os corticóides inibem a absorção intestinal do cálcio e aumentam sua eliminação urinária, diminuem a formação osteoblástica e aumentam a reabsorção osteoclástica.

Osteoporose
Ossos | Junta

FATORES DE RISCO

Há um conjunto de fatores que influenciam e favorecem o desenvolvimento da Osteoporose.

  1. Menopausa: com a interrupção da menstruação, ocorre diminuição dos níveis de estrógeno (hormônio feminino), que é fundamental para manter a massa óssea.
  2. Envelhecimento: a perda de massa óssea aumenta com a idade.
  3. Hereditariedade: a Osteoporose é mais frequente em pessoas com antecedentes familiares da doença.
  4. Dieta pobre em cálcio: o cálcio é fundamental na formação óssea. Sua obtenção a partir da alimentação é imprescindível para prevenir a Osteoporose.
  5. Excesso de fumo e álcool: tem-se observado maior incidência de Osteoporose entre as pessoas que consomem álcool e fumo em excesso.
  6. Imobilização prolongada: o exercício físico constitui um importante estímulo para a formação e o fortalecimento dos ossos. Grandes períodos de imobilização e a falta de exercícios podem levar à Osteoporose.
  7. Medicamentos: alguns medicamentos, como os corticóides, em tratamentos de longa duração, favorecem a redução da massa óssea.
  8. Má nutrição: Cafeína (aumenta excreção de cálcio); dieta rica em fibras, proteínas e sódio (diminuem a absorção de cálcio).

DIAGNÓSTICO

Como em outras patologias, o diagnóstico da osteoporose é feito pela história clínica, exame físico e exames subsidiários.

Geralmente a osteoporose é pouco sintomática, às vezes só se manifesta por uma fratura. A dor dorso lombar é queixa comum, o espasmo muscular é a principal causa dos sintomas, que também podem ser por micro fraturas. Em muitos casos, é consequente a uma fratura por compressão.

Na história deve ser inquirida a idade da menopausa, presença de fator familiar, hábitos alimentares, atividade física, uso de café, cigarro ou álcool.

No exame físico pode-se verificar deformidade da coluna, devem-se incluir dados de peso e altura, para acompanhamento.

Os exames subsidiários utilizados são os laboratoriais e de imagem. Os primeiros geralmente são normais na osteoporose primária.

Rotineiramente solicitamos o hemograma, VHS, eletroforese de proteínas, provas de função renal, dosagens de cálcio e fósforo, fosfatase alcalina e calciúria de 24 horas. O nível de cálcio endógeno excretado é diretamente relacionado ao aparecimento da osteoporose.

Solicitamos, sempre que necessário, os marcadores de formação e de reabsorção óssea. São considerados marcadores de formação a fosfatase alcalina óssea, a osteocalcina e o pró-colágeno tipo I C-Terminal Peptídeo (PICP).

São considerados marcadores de reabsorção óssea a hidroxiprolina, piridinolina, desoxipiridinolina e o NTX. A hidroxiprolina é um produto da degradação do colágeno; como a maior fonte deste é o osso, a hidroxiprolina indica, de certo modo, a reabsorção óssea. Entretanto é influenciada pela dieta alimentar.

A piridinolina e desoxipiridinolina

A piridinolina e desoxipiridinolina são dosadas na urina. Como estão presentes nas ligações do colágeno, são indicadoras do catabolismo ósseo. Não têm influência da dieta. O NTX, também dosado na urina, é resíduo de telopeptídeos originados da ruptura do colágeno tipo I.

Existem, ainda, exames especiais como a dosagem da 25 OH vitamina D e da 1,25 di OH vitamina D.

Com o desenvolvimento da osteossonografia quantitativa das falanges da mão (QUS) para estudo da massa óssea, método que utiliza como princípio a velocidade do som para analisar as propriedades quantitativas e qualitativas do material ósseo, surge uma alternativa de baixo custo e que evita a radiação ionizante em sua aplicação, que, somada ao fato de que a técnica sofre menor influência do tamanho do fragmento ósseo, torna esse um bom método a ser aplicado em pediatria para estudo da massa óssea.

A densitometria óssea é utilizada para estudo seriado, para determinar a extensão da perda e para verificar a eficácia da prevenção ou tratamento. A densitometria é o melhor preditor de fraturas.

NOTA: Quanto ao nutricionista, a solicitação dos exames laboratoriais necessários ao acompanhamento dietoterápico é requisito essencial, inclusive para a prescrição dietética. Os exames integram a rotina das consultas nutricionais, quando estes ainda não estão disponíveis no prontuário, e trazem informações fundamentais para a avaliação do estado nutricional e ajuste dietoterápico, uma vez que complementam a anamnese, a antropometria e o exame clínico-nutricional. Não se trata de diagnóstico, tratamento ou procedimento; a solicitação de exames para diagnóstico nosológico (doenças) é atividade privativa do médico. (CFN Conselho Federal de Nutricionistas).

PREVENÇÃO

A prevenção engloba uma série de medidas:

Exercícios suaves: Desde caminhadas até a realização de um programa de exercícios estabelecido pelo médico ou pelo fisioterapeuta. Ex: alongamento, exercícios para melhorar o equilíbrio e para fortalecimento dos músculos.

Nutrição adequada: O principal nutriente que previne a osteoporose é o cálcio, presente nos leites, iogurtes, queijos, flocos de cereais, feijão branco miúdo, aveia, couve manteiga, orégano, brócolis.

A absorção do cálcio não pode ser aumentada na deficiência de cálcio e de vitamina D. A vitamina D, por sua vez, é obtida a partir da dieta e é ativada na pele por ação da irradiação solar. A vitamina D também estimula a reabsorção óssea, aumentando os níveis de cálcio no sangue. Os alimentos ricos em vitamina D são: óleo de fígado de peixe (bacalhau, sardinha, arenque, salmão e atum), ostras, peixes (cavalinha, salmão, atum, sardinha) e ovos. Entretanto, a principal fonte de vitamina D é obtida através da luz solar, sendo necessário uma exposição de cerca de 15 minutos/dia, preferencialmente nos horários da manhã (até às 10h) e à tarde (após as 15h).

  • Evitar quedas: Não deixe objetos espalhados pelo chão;
  • Evite calçados de saltos e com solado liso, use sapatos confortáveis com solado antiderrapante;
  • Não ande em locais pouco iluminados e com chão molhado;
  • Utilize corrimão dos dois lados;
  • Não guarde objetos em prateleiras altas;
  • Coloque barras de segurança no banheiro. Se possível tenha piso antiderrapante na cozinha e no banheiro;
  • Uma boa visão é fundamental para o bom equilíbrio, portanto, visite com frequência seu oftalmologista; A prevenção das quedas é fundamental para evitar fraturas.
  • Parar de fumar.
  • Evitar excesso de álcool.
  • Osteoporose
    Humano

TRATAMENTO

A principal forma de tratamento da osteoporose é a prevenção. São elementos críticos o pico de massa óssea e a prevenção da reabsorção pós-menopausa.

O pico de massa óssea é dependente do aporte calórico, da ingestão de cálcio e vitamina D, da função menstrual normal e da atividade física. A maioria dos agentes terapêuticos atuam na reabsorção óssea, como anti-reabsortivos.

Cálcio

O consumo de cálcio aumenta com a atividade física e também é maior na gravidez e lactação. As necessidades diárias variam de acordo com a faixa etária: no adolescente é cerca de 1200 mg/dia; no adulto, 800 mg/dia; na peri menopausa, 1000 mg/dia; na pós menopausa, 1500 mg/dia; na gravidez aumenta para cerca de 1500 mg/dia e, na lactação, aumenta para 1500 a 2000 mg/dia.

A principal fonte de cálcio na dieta é o leite e seus derivados, mas existe também em vegetais como:

  • Espinafre,
  • Agrião,
  • Brócolis
  • Couve-manteiga.

Muitas vezes é difícil obter a quantia necessária apenas da dieta alimentar, nesses casos pode estar indicada a suplementação.

Os suplementos mais comumente utilizados são de carbonato de cálcio. Estes contém 40% de cálcio elementar e precisam de meio ácido para ser solubilizado, portanto, devem ser ingerido às refeições.

Suplementos com citrato de cálcio são indicados para indivíduos com acloridria (ausência de ácido clorídrico no suco gástrico), e reduzem os riscos de cálculos renais.

Teoricamente a suplementação isolada do cálcio pode reduzir os riscos de fratura em 10%. A suplementação de cálcio em mulheres entre 35 e 43 anos previne a perda óssea e permite a entrada na menopausa com massa óssea maior.

Vitamina D

A vitamina D é sintetizada na pele pela ação dos raios solares ultravioleta e sofre transformações no fígado e rins para tornar-se ativa. Favorece a formação óssea e facilita a absorção intestinal do cálcio.

Nos indivíduos deficientes dessa vitamina, a suplementação aumenta a massa óssea e diminui o risco de fraturas.

 

REPOSIÇÃO HORMONAL

Tratamento médico 

Estrógenos: A perda óssea é acelerada após a menopausa. Por um mecanismo não bem entendido, os estrógenos inibem a reabsorção óssea e, possivelmente, possam atuar na formação, também.

A reposição hormonal melhora o perfil lipídico, protege os dentes e o cérebro, diminui o risco de Alzheimer.

A administração de estrógenos bloqueia a perda acelerada de osso medular que se verifica nos primeiros anos após a menopausa.

Podem diminuir a incidência de fraturas da coluna em até 50% e do quadril, em menor escala.

Os estrógenos podem ser administrados por via oral, sublingual, transdérmica, percutânea, subcutânea ou intravaginal.

De acordo com a SBEM – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o tratamento, tanto no homem, quanto na mulher, é na maioria das vezes indicado por ginecologistas, endocrinologistas, urologistas e clínicos gerais.

Calcitonina

Calcitonina: A calcitonina é um hormônio produzido pelas células C (parafoliculares) da tireóide. Sua fisiologia exata é controversa; sua capacidade de modular os níveis séricos de cálcio e fósforo é significante.

Como terapêutica, utiliza-se mais frequentemente a calcitonina de salmão, na forma de spray nasal. Pode ser antigênica e produzir resistência, se usada por tempo prolongado.

Atividade física: A massa óssea é relacionada à ação da musculatura sobre o osso, portanto exercícios gravitacionais são mais efetivos.

Um programa ideal de atividade física deve ter exercícios aeróbios de baixo impacto, exercícios de fortalecimento muscular e para melhora da propriocepção, a fim de diminuir a incidência de quedas.

Os exercícios aeróbios de baixo impacto, como caminhadas, estimulam a formação osteoblástica e previnem a reabsorção. Exercícios com pesos leves aumentam a massa muscular e a força dos músculos esqueléticos. A diminuição da força do quadríceps é um risco para ocorrência de fraturas do quadril.

A natação pode ser utilizada mais para relaxamento global e manutenção da amplitude de movimentos do que para estimular a produção óssea

O benefício primário da atividade física pode ser: evitar perda óssea que ocorre com a inatividade, o que de certa maneira pode reduzir o risco de fraturas. Entretanto não pode ser recomendada como substituta do tratamento medicamentoso apropriado.

O CONFEF – Conselho Federal de Educação Física orienta praticar atividades físicas pelo menos três vezes por semana, com orientação de um profissional capacitado.

Tratamento Natural 

Para os casos em que a reposição hormonal seja necessária, a paciente pode fazer por meio de terapias naturais (extraídas de substâncias animais) ou sintéticas (produzidas em laboratórios, a partir de substâncias químicas que “imitam” os hormônios naturais).

De acordo com os especialistas, os casos em que a terapia hormonal não é indicada, são aqueles em quem a paciente sofra de um câncer de mama, quadro de trombose, doenças cardíacas prévias e doenças do fígado.  Por isso a análise individual é tão importante para esta avaliação, e deve ser prescrita por um profissional da área.

A IMPORTÂNCIA DA DIETA NA OSTEOPOROSE

Existe um nutriente imprescindível na prevenção da Osteoporose, que é o cálcio. Com o passar da idade, ocorre diminuição na absorção de cálcio e aumento de sua eliminação. A ingestão inadequada pode resultar em redução da massa óssea, principalmente após os 50 anos, em ambos os sexos, progredindo mais rapidamente nas mulheres. Sendo assim, é importante uma adequada oferta de cálcio proveniente da alimentação desde a infância, quando ocorre a formação dos hábitos alimentares, até a fase adulta. A recomendação de cálcio é de 1.200 mg/dia para adultos e de 1.500mg/dia para mulheres no período pós-menopausa